Blogue do Rex
Sabia que um motor que não precisa de gasolina, diesel ou querosene para funcionar é que dará o impulso para o ser humano chegar a Marte?
Viagem futurista
Vrum, vrum, vrum... Você já deve ter visto o motor de um carro. Mas conte aí: como precisaria ser o motor do foguete que levaria o ser humano a Marte? Bem diferente dos que são usados hoje em dia aqui na Terra e também dos que são empregados em viagens espaciais! Tudo para tornar a viagem mais rápida, segura e barata, conta o astrônomo Jaime Fernando Villas da Rocha, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
Para funcionar, o chamado motor de plasma – que já está em desenvolvimento! – não precisaria de combustíveis fósseis, como a gasolina, o querosene e o diesel, todos derivados do petróleo. Em vez disso, a ideia é que ele utilizasse energia elétrica – que poderia ser gerada, no espaço, a partir da energia solar – e gases nobres – como o xenônio – com o intuito de produzir a impulsão necessária para levar o ser humano até o planeta vermelho. E o melhor: de uma forma mais limpa e eficiente do que a que os motores atuais permitiriam. “O motor de plasma é muito mais limpo que qualquer outro e seu desenvolvimento pode trazer grandes benefícios à Humanidade", conta Jaime.
Rota de viagem
Você viajou nas férias? De onde partiu? Para onde foi? A distância era grande? Ao falar em viagens aqui na Terra, é assim: pensamos em ir de um ponto a outro, levamos em conta a distância. Mas ao imaginar viagens no espaço – entre a Terra e Marte, por exemplo – é preciso considerar outros detalhes, como o fato de estarmos partindo de um planeta que se movimenta rumo a outro que também se move!
“Terra e Marte são dois planetas que orbitam uma estrela: o Sol. Levar uma nave da Terra a Marte significa lançar um veículo de um corpo em movimento quase circular para outro também neste tipo de movimento”, explica o astrônomo Jaime da Rocha. “É como se você estivesse em um carrossel duplo: um carrossel que apresentasse dois círculos com cavalinhos. Você estaria no círculo mais interno, querendo jogar um presente para um amigo que está no outro círculo de cavalinhos, o mais externo. Para conseguir fazer isso, você vai ter que saber jogar o presente usando sua força da melhor forma e calcular em que ponto estará o seu amigo quando o presente chegar ao círculo de cavalinhos em que ele se encontra. É assim que se calcula uma rota de viagem entre dois planetas ou mesmo até a Lua, que também está em movimento.”
Para que a ida do ser humano ao planeta vermelho seja mais rápida, barata e segura, um novíssimo tipo de motor para foguetes está sendo desenvolvido. Quer saber que motor é esse? Pois vamos conhecê-lo na semana que vem!
Rumo ao planeta vermelho

- Quarto planeta do Sistema Solar, Marte é avermelhado porque seu solo apresenta minerais ricos em ferro (foto: NASA, ESA, STScI/AURA, J. Bell e M. Wolff).
Dia desses, eu estava aqui na redação quando chegou a seguinte mensagem do Klaus Reimer, de oito anos, que vive em Jundiaí, São Paulo: “Como gosto muito de astronomia, seria muito legal ler e saber mais das novas descobertas sobre Marte e como está sendo a preparação de uma futura viagem para este planeta ainda tão misterioso para nós. Quanto tempo levaria e como seria esta viagem?”.
Para responder a essa pergunta, fui até a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro conversar com o astrônomo Jaime Fernando Villas da Rocha.
Ele me contou que, recentemente, muitas descobertas foram feitas sobre o planeta vermelho. Por exemplo: a sonda Mars Odyssey – que está em Marte desde 2001 e deve continuar em operação até setembro deste ano – detectou a presença de grandes quantidades de hidrogênio e gelo no planeta. Além disso, cientistas constataram que já houve água líquida em Marte, que há gás metano na atmosfera e que lá também ocorrem auroras: um efeito luminoso no céu, que, na Terra, é visto nas regiões polares.

- Esta é a superfície de Marte, onde astronautas devem aterrissar daqui a vinte anos (foto: NASA/JPL/Cornell).
Quanto à ida de astronautas a Marte, saiba que ela ainda deve demorar um pouco. A Agência Espacial Europeia planeja que ela ocorra entre 2030 e 2035, enquanto a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) aposta em 2037. Mas, antes disso, muitas pesquisas ainda precisam ser feitas. Isso porque novos motores para foguetes precisam ser desenvolvidos para tornar a viagem a Marte mais rápida e segura.
“Usando foguetes tradicionais, a viagem pode levar pelo menos seis meses até dois anos. A quantidade de combustível necessária apenas para chegar lá seria tão grande que corresponderia a grande parte do volume da nave. Problema que gera um círculo vicioso: quanto mais combustível a transportar, maior e mais pesada a nave, o que exige mais combustível”, explica Jaime. Enviar astronautas a Marte, porém, seria valioso para a evolução de pesquisas que investigam, por exemplo, se já houve vida no planeta. Daí a importância de solucionar essa questão!

- O desenho feito por um artista mostra a sonda Mars Odyssey, que detectou a existência de hidrogênio e gelo em Marte (ilustração: NASA/JPL).
E aí? Gostou de saber mais sobre o planeta vermelho? Pois há tanto a falar sobre Marte que decidi que o blogue se tornará temporariamente marciano. Esse vai ser o tema de novos posts, que estão a caminho. Aguardem!!!

